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O que são
os temas transversais?
Eles
representam a maior das novidades propostas às escolas pelos
PCN. Cada um deles apresenta questões urgentes da sociedade
brasileira que precisam ser discutidas, e cujos conteúdos
passam por todas as áreas, transversalizando as disciplinas
convencionais. São questões que complementam os conteúdos
escolares e referem-se a ética, saúde, meio ambiente,
orientação sexual, pluralidade cultural — os chamados
temas transversais. Eles recebem essa definição porque não são
disciplinas a mais no currículo escolar, nem se limitam a uma
determinada área do conhecimento. Os temas transversais
implicam não só a sua discussão por parte dos professores,
como a adoção de atitudes coerentes com a educação centrada no
exercício da cidadania. Saúde e meio ambiente costumam ser
trabalhados com mais facilidade, pois representam linhas de
pensamento construídas e aceitas socialmente. Para muitos, a
orientação sexual é um tabu, enquanto a ética e a pluralidade
cultural deixam muito mais à mostra o modo como o educador
pensa e age.
Qual é a
importância dos temas transversais dentro dos
Parâmetros?
O conceito
de tema transversal surgiu na Inglaterra quando o currículo
mais fechado do mundo começou a abrir espaço para outras
concepções de educação, como a idéia de que o conhecimento
pode ser construído por meio de atividades. Da observação
dessas experiências surgiu a percepção de que existem temas
que permeiam os conteúdos das várias áreas do conhecimento. Os
temas transversais são exatamente isso.
Os temas
transversais podem estar, de fato, presentes em todas as
disciplinas?
Sim. Cada
professor deve olhar para o seu ciclo e procurar os objetivos
convergentes. O ideal é que a escola estruture o seu projeto
educativo, com a participação de todos os professores. Também
seria ideal que o professor fosse vinculado a uma determinada
escola, isto é, que estivesse totalmente comprometido com o
projeto da "sua" escola e não precisasse se dividir em várias
instituições. Quando o currículo é montado sobre um projeto
consistente, os temas transversais surgem naturalmente, pois
são os eixos que levam à formação geral do cidadão. Por isso,
eles não podem estar nas mãos de apenas um professor, mas
devem passar pela postura coerente do conjunto de
profissionais da escola.
Os temas
transversais exigem uma maior integração entre os
professores?
Sim. Os
temas transversais obrigam os professores a se colocarem no
lugar do outro. Esse outro pode ser tanto o aluno quanto o
professor de uma outra área, ou até mesmo os demais
profissionais da escola, desde os serventes até a diretora.
Por exemplo: o professor não aceita um trabalho entregue com
atraso, mas não marca prazo para devolver as provas aos
alunos. Claro que se o trabalho não fizer sentido para a
criança, ela vai entregá-lo só porque tem medo de tirar nota
baixa. O papel da escola é coordenar e compatibilizar a
construção do conhecimento com a realidade cotidiana, e os
temas transversais são um instrumento privilegiado para isso.
O professor tem a tendência de achar que vai ter de ensinar a
sua disciplina e mais os temas transversais. Não é nada disso.
Os temas também levam os professores a fazerem parcerias, para
que um não repita o que o outro está ensinando. O trabalho
deve ser feito em equipe: é importante que haja cobertura dos
demais professores. Quando isso não acontece, o aluno muitas
vezes consegue distinguir entre quem está realmente
interessado em ajudá-lo a descobrir, a aprender e a crescer, e
quem não está. Mas nem sempre isso acontece e o professor
bem-intencionado acaba pagando pelos demais. As equipes devem
ser co-autoras dos projetos das escolas.
Quais são
os fundamentos dos temas transversais?
Respeito,
diálogo, justiça e solidariedade devem estar presentes nas
relações que se desenrolam na escola o tempo todo. Estes são
os fundamentos da educação e dos temas transversais. A escola
foi criada para dar educação formal ao cidadão. A sua função é
socializadora. Por isso, é importante que não só os
professores, mas todas as pessoas que trabalham na escola
tenham uma postura coerente. Se a merendeira atira o lanche da
criança de qualquer jeito, ela não está dando um bom exemplo
de respeito mútuo. É uma questão ética. Nesse sentido, a
direção escolar tem um papel importante, pois a maneira como
diretores e supervisores tratam os professores é reproduzida
na relação com os alunos.
Os temas
transversais levam a um maior envolvimento com a
comunidade?
Sim. À
medida que a escola incorpora as discussões que estão agitando
a comunidade, automaticamente, quem está ao redor sente-se
tocado, identificado e começa a participar. Para que isso
aconteça, é preciso que a escola como um todo tenha um projeto
educativo que contemple a comunidade.
A idéia de
sempre partir do conhecimento prévio dos alunos também é
possível no caso dos temas transversais?
Sim.
Aliás, isso vale também para o professor. Isso mesmo, os
professores também possuem conhecimento e experiência
adquiridos em anos de prática de sala de aula. No entanto,
eles geralmente esquecem esse procedimento em relação a seu
próprio trabalho. Por exemplo, é comum ver os professores com
um caderno em branco no planejamento do início do ano. Onde
ficaram as anotações, as experiências anteriores? É preciso
registrá-las para que sejam usadas. Os próprios documentos dos
PCN devem ser material de consulta quando surgir uma dúvida,
o professor vai lá e relê. Por isso, devem ser riscados,
anotados, questionados.
Há mais de
uma forma de trabalhar os temas transversais?
Sim.
Existem três vertentes para o trabalho com os temas
transversais. Em primeiro lugar, o professor deve incluir em
seu planejamento de aulas o levantamento de questões
relacionadas aos temas transversais. A segunda forma de
trabalhar é por meio de projetos. Os projetos são questões
mais amplas que envolvem a participação de várias disciplinas.
Um jeito interessante de começar a montar um projeto é fazer
um mapa conceitual ou semântico. A partir do tema escolhido,
colocam-se no papel os vários aspectos que serão abordados,
mostrando as relações entre eles. É uma forma de ter clareza
quanto ao que se pretende com o projeto. A terceira linha de
trabalho é a atenção permanente. O professor precisa estar
atento o tempo todo para perceber a necessidade de agir em
momentos críticos. Por exemplo: se ele identifica uma atitude
racista entre seus alunos, deve interferir e levantar o
assunto imediatamente. Também deve se auto-observar para que
sua postura seja coerente com seu discurso.
Como
tratar a orientação sexual para as crianças de 1a a 4a
série?
Na 4ª
série, isso pode aparecer naturalmente como tema na sala de
aula, quando as crianças estudam o corpo humano. Mas a
referência dos Parâmetros é clara: a orientação sexual deve ir
muito além da anatomia. Afinal, a sexualidade atravessa mesmo
a vida da escola com todo o seu potencial explosivo. Os PCN,
porém, se propõem a facilitar a vida do professor nesse
aspecto.
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