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As
divisões da Biosfera
A
biosfera pode ser definida como o conjunto de
locais da Terra que reúne condições favoráveis
à vida. Compreende todos os ecossistemas do
planeta. Pode ser dividida em três grandes
biociclos: terrestre (terra firme), dulcícola (água
doce) e marinho (água salgada). Os biociclos se
constituem de vários biomas. Bioma pode ser
conceituado como uma unidade ecológica
relativamente uniforme e estável, com fauna,
flora e clima próprios. Por definição os
biomas não se restringem apenas à vegetação,
mas se caracterizam principalmente por ela.
Principais
biomas da Terra
Tundra
A
tundra é o tipo de vegetação encontrada no
hemisfério Norte, abaixo do Círculo Polar Ártico.
Regiões similares podem existir em montanhas de
altitude elevada, onde ocorre a tundra alpina.
Este bioma é limitado pelas restrições de luz
e calor, criando uma condição climática
rigorosa, que limita o desenvolvimento de
plantas e animais. A vegetação é constituída
por musgos, liquens, capins e plantas herbáceas.
Essas plantas servem de alimento a animais herbívoros
como a rena, o caribu, o boi almiscarado, as
lebres árticas e alguns roedores ( lemingues ),
que por sua vez servem de alimento os carnívoros,
como o lobo ártico, o urso polar, a raposa ártica
e a coruja das neves. Na região, o inverno é
rigoroso e dura dez meses.

Taiga
A
taiga, também chamada de floresta boreal ou de
coníferas, situa-se ao sul da tundra, podendo
ser encontrada na América do Norte, na Europa e
na Ásia. Esse bioma ocorre em regiões de
inverno tão rigoroso como o da tundra, porém
de menor duração, porque recebe mais luz e
calor que as regiões polares. O solo se degela
totalmente e a vegetação é constituída
predominantemente por árvores sempre verdes,
que não perdem as folhas mesmo durante o
inverno. Isso é possível devido a adaptações
morfológicas e fisiológicas. As folhas possuem
formato de agulhas, com cutícula grossa e
resistente ao frio. O tronco é recoberto por
casca espessa e suberosa, garantindo isolamento
contra o frio. As árvores características são
coníferas, como pinheiros e abetos. Também estão
presentes plantas arbustivas e herbáceas, além
de musgos e liquens. A diversidade vegetal é
baixa, freqüentemente formada por uma ou duas
espécies de árvores, em estratos uniformes.
Essas florestas de coníferas contêm cerca de
um quarto da biomassa florestal da Terra e
talvez metade do carbono incorporado às
florestas. São um depósito para o excesso de
dióxido de carbono produzido pela atividade
humana, principalmente porque situam-se em um
cinturão adjacente às áreas temperadas
densamente povoadas. Além disso, sua vegetação,
sempre verde, é capaz de fazer fotossíntese
durante todo o ano, absorvendo gás carbônico
da atmosfera. A fauna é constituída de alces,
ursos pardos, lobos, martas, linces, esquilos,
raposas e diversas aves migratórias.

Florestas
Temperadas Decíduas
As
florestas temperadas são encontradas nos
Estados Unidos, na Europa Ocidental, na China,
na Coréia e no Japão. Essas florestas
apresentam estratificação pronunciada e grande
diversidade de espécies. O clima caracteriza-se
por apresentar as quatro estações do ano bem
definidas: primavera, verão, outono e inverno.
As folhas de suas árvores caem durante o
inverno, razão pela qual são chamadas de
caducifoliadas (de folhas caducas, que caem) ou
decíduas. A queda das folhas está associada a
uma adaptação das plantas para se defenderem
da seca fisiológica, uma vez que o inverno é
bastante rigoroso e a água se congela no solo.
Essa florestas apresentam vegetação
predominantemente arbórea (carvalhos, bordos,
faias, nogueiras) e uma fauna muito rica
representada por urso, veados, esquilos, lobos,
raposas, lebres, répteis, anfíbios insetos e
aves.
Florestas
Tropicais
As
florestas tropicais são assim denominadas por
se localizarem entre os trópicos de Câncer e
Capricórnio, sendo encontradas na região amazônica,
na América Central, na Indonésia, Austrália e
na bacia do rio Congo, na África. O clima na
região é quente e úmido, com grande
quantidade de energia radiante e chuvas
abundantes e regulares. Isso permite o
desenvolvimento de uma exuberante vegetação
arbórea, espessa e variada, com grande número
de epífitas e cipós, que são característicos
dessas formações florestais. A exemplo das
florestas temperadas, as florestas tropicais
apresentam uma nítida estratificação
vertical, em estratos ou andares, cada um com
microclima e fauna próprios.
A
diversidade biológica é a maior do planeta. A
fauna é muito rica, sendo constituída por inúmeras
espécies de mamíferos, aves, répteis, anfíbios,
artrópodes etc. O aparente paradoxo – vegetação
exuberante em um solo pobre em minerais pode ser
compreendido se considerarmos que a floresta
tropical recebe a maior intensidade luminosa e
calor solar, e possui grande disponibilidade de
água. Por isso sua vegetação realiza uma
extraordinária taxa de fotossíntese. As mesmas
condições que favorecem a fotossíntese
favorecem também uma espetacular taxa de
multiplicação de bactérias e fungos
decompositores. Portanto a velocidade de
decomposição e reciclagem de nutrientes é
igualmente rápida. Os nutrientes absorvidos a
partir do ar atmosférico, como carbono, oxigênio,
além do hidrogênio, que vem da água são
praticamente os únicos que ficam aprisionados
por longos períodos no tronco das árvores. Os
nutrientes envolvidos na maioria dos processos
metabólicos, como nitrogênio, por exemplo, estão
predominantemente nas folhas, flores e frutos,
cuja velocidade de reciclagem é elevada.
Campos
Os
campos são biomas que apresentam uma vegetação
típica de gramíneas, podendo abrigar,
esporadicamente, vegetais de maior porte, como
arbustos e árvores. Os campos recebem várias
denominações regionais: cerrados, pampas,
pradarias, estepes, e savanas. Recebem muita
energia radiante, porém a precipitação não
é suficiente para sustentar uma vegetação
tipicamente florestal. A fauna é variável,
mas, de maneira geral, abriga mamíferos com hábito
de agregação em colônias ou manadas. Esse hábito
de vida constitui proteção em habitats abertos.
São
importantes para a espécie humana porque são
regiões de onde são originárias a maioria das
gramíneas cultivadas em termos mundiais, como,
trigo, milho, arroz e cevada, que representam
grande parcela da alimentação mundial.
Muitas das antigas civilizações
desenvolveram-se em regiões de pradaria em
associação com animais de pastoreio
domesticado. É possível que nenhum tipo de
bioma tenha sido submetido, como esse, a um tal
abuso pelo homem. Mesmo hoje, a maioria das
pessoas não compreende que as pastagens
naturais devem ser tratadas com o mesmo cuidado
que as cultivadas. A exploração descontrolada
dessas áreas tem contribuído para a transformação
de grandes áreas de campo em desertos.

Desertos
Apenas
30% do maior deserto do mundo (Saara, localizado
no norte da África) é coberto de areia. A
maior parte desse e de outros desertos apresenta
uma superfície rochosa. Vale dizer que o que
caracteriza o deserto é a aridez e, não
necessariamente, a presença de areia. Em todos
eles, o solo é árido as chuvas são escassas,
limitando significativamente a vida animal e
vegetal. A ocorrência de dias muito quentes,
quase sempre ultrapassando os 40o C e noites
muito frias, faz com que os animais sejam
adaptados a grandes variações térmicas. Isso
acontece porque no deserto praticamente não
ocorre o efeito estufa, que mantém o ar
aquecido após o ocaso, permitindo um
resfriamento gradual da temperatura do ar. Nos
desertos, logo que cessa a radiação solar a
temperatura do ar diminui rapidamente. A vegetação
é esparsamente distribuída e formada
basicamente por três tipos de plantas: as
suculentas, arbustos de folhas grossas e curtas
e as plantas anuais. As suculentas são plantas
capazes de armazenar água em seus tecidos, como
as cactáceas. Os arbustos do deserto, com
numerosas ramificações a partir de um tronco
basal curto, produzem folhas grossas e curtas,
que caem nas estações prolongadas de seca. As
plantas de ciclo curto são capazes de germinar,
crescer, florescer, frutificar e lançar
milhares de sementes, que poderão ser
disseminadas e aguardar por longos períodos por
uma condição favorável de umidade. Como
exemplo podemos citar a rosa de jericó, que
possui o extraordinária capacidade de germinar
em algumas horas após uma chuva e se
desenvolver em alguns dias. A fauna é constituída
de insetos, répteis, aves e poucos mamíferos.
Esses animais encontram-se , tal como as
plantas, adaptados de diversas maneiras à falta
de água. Os répteis e alguns insetos possuem
tegumentos impermeáveis e excreções secas (ácido
úrico e guanina). Os mamíferos, como o rato
canguru e algumas espécies de ratos dos gêneros
Perognatus e Dipus podem viver indefinidamente
de sementes secas e não necessitam beber água.
O camelo pode passar longos períodos de tempo
sem água porque os tecidos do corpo podem
tolerar a elevação de temperatura e um grau de
desidratação que seria fatal para a maior
parte dos animais. Os camelos não armazenam água
na corcova como popularmente se supõe. Além
disso, geralmente os animais têm hábitos
noturnos, pois não sobreviveriam a uma jornada
sob sol escaldante.
Conteúdo
da Univ. Livre da Mata Atlântica

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