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SONETO*
(Fagundes
Varela)
  
Eu
passava na vida errante e vago
Como o nauta perdido em noite escura,
Mas tu te ergueste peregrina e pura
Como o cisne inspirado em manso lago,

Beijava a onda num soluço mago
Das moles plumas a brilhante alvura
E a voz ungida de eternal doçura
Roçava as nuvens em divino afago.
Vi-te; e nas chamas de fervor profundo
A teus pés afoguei a mocidade
Esquecido de mim, de Deus, do mundo!

Mas, ai! Cedo fugiste!... Da saudade,
Hoje te imploro desse amor tão fundo
Uma idéia, uma queixa, uma saudade!

Enviada
segunda-feira, 20 de outubro de 2003 - 19:32h
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